Saturday, July 26, 2014

San Sebastián, Europe's Rio























































San Sebastián, or Donostia in Basque language, is a coastal city in the Spanish autonomous region of the Basque Country, in Spain. The city is often called Europe's Rio de Janeiro. Comparisons are logic and similarities are more than obvious. The city shows a picturesque coastline with a shell bay, whose name was taken precisely from its shape, being similar to the Bay of Guanabara in Rio de Janeiro, and has two hills that crown and overlook over the city. San Sebastián has therefore two Corcovados: Mounts Urgull and Igueldo.

Although the choice can be difficult, Mount Igueldo is perhaps the one that offers the best views. To reach the top, as in Pão de Açúcar, Igueldo has a funicular. From its viewpoint, people can get splendid views over the city (first photo). On other side, it is possible to see its twin, Mount Urgull, with the enormous statue of Jesus Christ on the summit, and also a fortress. In the middle of the shell-shaped bay there is the cute and steep Santa Clara Island.

San Sebastián also offers to its visitors a marvelous beach. The sand of Ondarreta (second photo) will delight summer tourists and, although the currents are treacherous, the scenery is gorgeous, having two twin hills on each side of the bay and Santa Clara Island right at the front, making this a perfect panorama.

The rugged coast of Basque Country has a special enchant and San Sebastián is not an exception. Here the wild sea fights against earth with all its energy, creating moments of pure magic. On the edge of the bay, next to Mount Igueldo, stands Peine del Viento ("Comb of the Wind"), perhaps the most known work by the Basque architect Luis Peña Ganchegui, and established around an area where the sea waves beat the rocks and the sculpture (third photo), frequently reaching an impressive height.

This Basque town will certainly delight its visitors with its splendid beach, rough sea and breathtaking views.


San Sebastián, ou Donostia no idioma basco, é uma cidade costeira da região autónoma espanhola do País Basco. A cidade é habitualmente apelidada de Rio de Janeiro na Europa. As comparações são lógicas e as parecenças são mais que óbvias. A cidade apresenta uma costa pitoresca, com uma baía em concha, cujo nome adquiriu precisamente devido à sua forma, sendo esta semelhante à Baía de Guanabara no Rio de Janeiro e com dois montes que coroam e observam a cidade. San Sebastián possui assim dois Corcovados: os Montes Urgull e Igueldo. 

Apesar da escolha ser difícil, o Monte Igueldo será talvez aquele que oferece as melhores vistas. Para atingir o topo, à semelhança do Pão de Açúcar, Igueldo dispõe de um ascensor. À chegada à estação superior encontram-se uma torre e um miradouro. Daqui conseguem-se obter vistas esplêndidas sobre a cidade (primeira foto). Do outro lado, consegue-se vislumbrar o seu gémeo, o Monte Urgull, com a sua a enorme estátua de Jesus Cristo no cimo e ainda um forte. No centro da baía em forma de concha situa-se a formosa e inclinada ilha de Santa Clara. 

San Sebastián presenteia igualmente os seus visitantes com uma fantástica praia. O extenso areal de Ondarreta (segunda foto) fará as delícias dos veraneantes e, embora as correntes marítimas sejam traiçoeiras, o cenário é deslumbrante, com os dois montes gémeos de cada lado da baía e a Ilha de Santa Clara no centro do panorama.

A costa recortada do País Basco tem um encanto especial e San Sebastián não foge à regra. Aqui o mar bravo enfrenta a terra com toda a sua energia, propiciando momentos de puro encanto. No extremo da baía, junto ao Monte Igueldo, encontra-se o Peine del Viento (Pento do Vento) talvez a obra mais conhecida do arquitecto basco Luis Peña Ganchegui, estabelecida ao redor de uma área, em que ondas do mar revolto atingem as rochas e a escultura (terceira foto), atingindo uma altura impressionante.

Esta cidade basca irá certamente maravilhar os seus visitantes com a praia esplêndida, mar bravo e vistas de tirar o fôlego.

Tuesday, July 22, 2014

Lake Ohrid, Balkan Sapphire






























No words will be enough to describe Ohrid. Lake Ohrid, the "Sapphire of the Balkans", bathes this little city in the Republic of Macedonia and establishes the border between the country and the neighbor Albania. Here ended the former Yugoslavia, and was also the limit of the settlements inhabited by South Slavs, or it was not this the designation of the country: Yugo (south) + Slavia (Slavic land).

The beauty of this lake is astonishing. The Church of Saint John at Kaneo (first photo), with a marvelous view over the lake and the beach with the same name, is an usual visit card of Macedonia. From here, it is possible to get a privileged panorama and see Albania, on the other side. In fact, these two countries share not only this natural border, but all the beauty from it.

Ohrid is not only known for its natural beauty. The city boasts a unique past and, from chronicles, some of them ottoman, it was said that Ohrid had a total of 365 chapels in the past, something like one for each day of the year. Today its number is considerably lower, but the city is still full of little byzantine churches and chapels, next to imposing monasteries and cathedrals, which demonstrate the religious past and importance of Ohrid. Each church certainly has a story to tell to their visitors and inside of them there are priceless frescoes. From these temples, the most prominent are Saint Sophia Cathedral and the Monastery of Saint Clement and Saint Panteleimon. Saint Sophia Cathedral (second photo) was modeled after Constantinople's Saint Sophia and has lined columns creating pleasant arcades. Walking uphill, stands the Monastery of Saint Clement and Saint Panteleimon, originally a 5th-century basilica, with relics of these saints. Next to it, there is an apparently empty field, which is Archaeological Complex of Plaošnik, showing the foundations of a 4th-century church and mosaics of flora, birds and animal life.

The city is situated on a steep hill overlooking to the lake. At the top stands the Samuil's Fortress (third photo), named after the first emperor of Bulgaria, whose territory stretched till here and later became the capital. Ohrid has also a Roman Amphitheater, initially built to host theater, but later was used also to receive gladiators.

Ohrid is therefore a good choice for people traveling around the Balkans and looking for a combination of a rich historical and religious past with the natural beauty of breathtaking landscapes.


Quaisquer palavras serão insuficientes para descrever Ohrid. O Lago Ohrid, "A Safira dos Balcãs", banha esta pequena cidade da República da Macedónia e estabelece a fronteira entre o país e a vizinha Albânia. Aqui terminava a antiga Jugoslávia e era igualmente o limite dos povoamentos habitados pelos povos eslavos do sul, ou não fosse essa a própria designação do país: Jugo (sul) + Eslávia (terra eslava).

A beleza deste lago é indesmentível. A Igreja de São João no Caneo, com uma vista deslumbrante sobre e a praia com o mesmo nome, é um cartão de visita habitual da Macedónia. Daqui, é possível obter um panorama privilegiado e vislumbrar a Albânia, do outro lado. De facto, estes dois países partilham não só esta fronteira natural, mas também a beleza inerente a ela.

Ohrid não é conhecida apenas pela sua beleza natural. A cidade orgulha-se do seu passado ímpar e, em diversas crónicas, entre as quais otomanas, era afirmado que Ohrid possuía ao todo 365 capelas, qualquer coisa como uma para cada dia do ano. Hoje o seu número é consideravelmente inferior, mas na cidade proliferam ainda pequenas igrejas e capelas bizantinas, rodeadas de imponentes mosteiros e catedrais, que demonstram o passado rico e importância de Ohrid a nível religioso. Cada igreja terá certamente a sua história para contar aos seus visitantes e no seu interior encontram-se frescos de valores incalculáveis. Destes templos, destacam-se a Catedral de Santa Sofia e o Mosteiro de São Clemente e São Pantaleão. A Catedral de Santa Sofia (segunda foto) foi projectada seguindo o modelo da Santa Sofia de Constantinopla e apresenta colunas perfiladas, criando arcadas bastante elegantes. Um pouco acima, encontra-se o Mosteiro de São Clemente e São Pantaleão, originalmente uma basílica do século V, onde podem ser vistas relíquias desses santos. Logo ao lado, pode-se encontrar aquilo que parece um campo raso, mas que se trata do Complexo Arqueológico de Plaošnik, apresentando as fundações de uma igreja do século IV e mosaicos representando a flora, pássaros e vida animal.

A cidade situa-se numa colina escarpada com vista para o lago. No topo enconta-se o Forte de Samuel (terceira foto), que recebeu o nome do primeiro imperador da Bulgária, cujo território se estendia até aqui e que mais tarde viria a receber a capital. Ohrid possui também um Anfiteatro Romano, inicialmente construído para receber peças de teatro, mas que mais tarde seria usado para receber gladiadores.

Ohrid é assim uma óptima escolha para quem pretende aventurar-se pelos Balcãs e procura a combinação de uma passado histórico e religioso rico com belezas naturais de tirar o fôlego.

Sunday, July 20, 2014

Day 1: Moscow (0km) - Part 4































There we are at Yaroslavl Terminal Station, in Moscow, ready for the moment we were both waiting for: the departure. It is not our first departure, but this is certainly going to be the hardest of our trips, not only due to the length and several kilometers, but also due to intensity that we are going out visit the main Russian cities in a very short time, managing many several timetables and transports in a country where unpredictability is something take into account. We are at kilometer zero and precisely 9.288 kilometers to our destination. Although we are focused, we smile, understanding the importance of trips for us.

Carrying our backpacks, and after verifying several times our first ticket, we approach our carriage. Many people are passing us with their big suitcases and belongings, moving on the platform like little ants, with the goal to enter in the train as soon as possible. Me and Andreja let ourselves to stay behind and therefore we can enjoy the moment and also the marvelous sunset, disappearing on the horizon, like the sun is falling on the railways (first photo).

In Russia, tickets are verified two times, one of the them at the entrance of the train. Conductors are therefore at the door of the carriage they supervise. When showing the tickets comes the first problem: we are not on the passengers' list. It is not possible! We have done the online check-in, thus, we have to be on it. The lady looks many times times at our passports and tickets, which are printed on A4 sheets, and she does not understand what is going on. How could this happen? Are we going to miss the first train and our trip ends here? Facing this dead-lock, Andreja has a good idea: to show the tickets we have just printed from the machines. The conductor smiles ironically: "Why you did not show these tickets before? Now it is clear what happened: we made the check-in online previously, but we have annulled it by printing new tickets. Solved the problem, we enter.

We easily find our seats and we put the bags under Andreja's bed. The experience aboard of Russian trains has shown us that this is the best strategy. By occupying a lower bed we would be sure that our belongings are safe, since there are some cases of thefts in the trains. This happen when people go to the toilet, restaurant, or even outside, during the several stops till Vladivostok, which can last from only 5 minutes to around 1 hour, therefore used not only for passenger boarding, but also making it possible for the ones already installed to stretch their legs and take fresh air. On the other hand, by taking the upper bed, right above the other, we avoid that a stranger can sit on the lower bed during the day.

The conductor announces the closing of the doors, and so the train starts moving on the tracks that guide us to the unknown. She comes to check the tickets and give us the set of sheets, pillow case and towel, additional services paid in exchange of 105 rubles (roughly 2,50 euro). Without this supplement, it is not allowed to use the mattresses, unless we have a sleeping bag.

Andreja goes to the toilet to change her clothes and I wait for her, preparing my bed. On my place there is a strange object. From the first sight it looks like a simple handle from a travel bag and, thinking this way, I take this aparently useless piece of textile and I put it in the trash next to the WC. Meanwhile, Andreja comes back and we talk. Suddenly, I notice other "handles" hanging on upper beds and I finally realize their utility: anti-fall protection, avoiding people to fall from their respective beds (second picture). This was a new situation for me, since, in all the trains I traveled, this anti-fall protection was done by retractable metal bars. Thus, I see myself obliged, and also ashamed, under the laughs of people observing me, to go to trash and take back that little thing that I have thrown away. For sure the other passengers thought how idiots these foreign tourists can be...

On our side, there are Marina and little Pasha, mother and son (third photo). At the beginning they are bit afraid, speaking to us only few words in english, but then they quickly realize that we are able to speak fluently Russian and we start a conversation. They are from Yekaterinburg and they are traveling around European Russia. These are going to be our neighbors till our stop in Perm. Lights are switched off and it is time to sleep.


Aqui estamos nós na Estação Terminal de Iarosvlavl, em Moscovo, ambos prontos para o momento que tanto ansiávamos: a partida. Não é a nossa primeira partida, mas esta será certamente a mais exigente das nossas viagens, não só pela duração e quilometragem, mas igualmente pela intensidade com que vamos tentar percorrer as principais cidades russas num curto espaço de tempo, conciliando vários horários e transportes, isto num país onde a imprevisibilidade é um factor a ter conta. Estamos no quilómetro zero e a precisamente 9.288 quilómetros do nosso destino. Estamos concentrados, mas não deixamos de sorrir ao perceber a importância desta viagem para nós.

De mochila às costas e, após verificar várias vezes o nosso primeiro bilhete, encaminhamo-nos para a nossa carruagem. Por nós passam diversas pessoas atarefadas com os seus malões e pertences, percorrendo a plataforma como que formiguinhas, com o objectivo de entrar o mais cedo possível para o comboio. Eu e a Andreja deixamo-nos ficar para trás e aproveitamos para desfrutar do momento e do magnífico pôr-do-sol que se perde no horizonte, como se o sol estivesse a cair sobre a linha do comboio (primeira foto).

Na Rússia, os bilhetes são verificados duas vezes, uma delas à entrada do comboio. As revisoras encontram-se assim à porta das carruagens que supervisionam. Chegado o momento de apresentar o bilhete vem a primeira contrariedade: não estamos na lista de passageiros. Não pode ser! Nós efectuámos o check-in online, por isso, temos de estar nela. A revisora olha várias vezes para os nossos passaportes e bilhetes impressos em folhas A4, sem perceber o que se está a passar. Mas como pode isto nos acontecer? Será que vamos perder logo o primeiro comboio e a nossa viagem fica por aqui? Perante o impasse, a Andreja tem uma boa ideia: mostrar os outros bilhetes que tínhamos acabado de imprimir nas máquinas. A revisora sorri e diz-nos num tom trocista: "Porque não mostraram estes bilhetes antes?" Agora é perceptível o que se tinha passado: tínhamos feito previamente o check-in online, contudo tinhamo-lo anulado com a impressão de novos bilhetes. Resolvido o problema, entramos.

Encontramos facilmente os nossos lugares e colocamos as mochilas debaixo da cama que estava destinada à Andreja. A nossa experiência a bordo de comboios russos mostrou-nos que essa seria a melhor estratégia. Ocupando uma cama inferior ficaríamos com a certeza de que os nossos pertences estariam seguros, pois existem alguns casos de roubos nos comboios. Isto acontece aquando de deslocações à casa  de banho, restaurante, ou mesmo ao exterior, durante as muitas paragens até Vladivostoque, que podem durar entre 5 minutos a cerca de 1 hora, servindo não só para embarque de desembarque de passageiros, mas igualmente para quem já está instalado poder desentorpecer as pernas e apanhar ar. Por outro lado, ao escolhermos uma cama superior, sendo esta por cima da outra, invalidamos as contrariedades do ocupante dessa cama ser um desconhecido e querer sentar-se na cama inferior durante o dia.

Após o grito da revisora, sinalizando o fecho das portas, o comboio inicia a sua marcha nos caminhos-de-ferros que nos guiam rumo ao desconhecido. A revisora chega para conferir os bilhetes e dar-nos o conjunto de lençóis, fronha e toalha, serviço adicional pago mediante a quantia de 105 rublos (sensivelmente 2,50 euros). Sem esse suplemento, não é permitido o uso dos colchões, a não ser que disponhamos de sacos-cama.

A Andreja vai à casa de banho para trocar de roupa e eu fico à espera, preparando a minha cama. No meu lugar está um objecto estranho. À primeira vista parece-me uma simples pega de um saco de viagem e, julgando dessa forma, pego nessa tira de tecido aparentemente sem utilidade e ponha-a no lixo, junto ao WC. Entretanto a Andreja volta e conversamos. De repente,  reparo em outras "pegas" em cada cama superior e entendo finalmente a utilidade das mesmas: protecção anti-queda, evitando que as pessoas caiam das camas respectivas (segunda foto). Esta foi uma situação nova para mim, pois em todos comboios onde viajei, essa protecção anti-queda era feita por barras de metal articuláveis. Logo, vejo-me obrigado, com alguma vergonha e, debaixo dos risos das pessoas que me observavam, a ir buscar ao lixo aquela coisa esquisita que tinha jogado fora. De certeza que pensavam o quão idiotas os turistas estrangeiros podem ser...

Ao nosso lado, estão a Marina e o pequeno Pacha, mãe e filho (terceira foto). De início ficam receosos, a falar connosco algumas palavras em inglês, mas depois percebem que falamos russo fluente e desenvolve-se a conversa. mãe e filho São de Iecaterimburgo e encontram-se fazer uma viagem pela Rússia europeia. Estes serão os nossos vizinhos até à nossa paragem em Perm. As luzes apagam-se e é tempo de dormir.

Tuesday, July 15, 2014

Tour of Russia in magnets...






















































Here you can find my personal collection of magnets from Russia. I have tried to sort them more or less by geographic location:

Saint Petersburg, Leningrad Region and Around (first photo)
Moscow, Golden Ring, Volga and Around (second photo)
Urals, Siberia and Far East (third photo)


Aqui está a minha colecção pessoal de ímanes da Rússia. Eu tentei dispo-los mais ou menos por localização geográfica:

São Petersburgo, Região de Leninegrado e Outras (primeira foto)
Moscovo, Anel Dourado, Volga e Outras (segunda foto)
Urais, Sibéria e Extremo Oriente (terceira foto)

Thursday, July 10, 2014

Guča, Trumpet Assembly
























































The first time I heard about Guča, I was travelling in the Republic of Srpska, North of Bosnia. Waiting for a bus connection, I start to hear the noise of horns and people singing. Far way, coming from a mountain road, it was possible to see many cars with Serbian flags, full of people singing out loud and drinking beer. The parade was so long that looked like the peloton of the Tour of France. One car stopped next to me and, maybe because I was carrying my backpack, someone opens the window and asks me in Serbian: "Hey, boy! Are you going to Guča? Do you want a ride?" I answer with a question, revealing my ignorance and curiosity about where is Guča and what is going on there. "You do not know? Guča is the greatest event in the region! Come with us!"I know that this kind of invitations and offers are completly normal in Balkans, however I already had plans and route defined, and so I thank them and decline the proposal.

It was the first time I heard about Guča. Back home, I had to get more information about it. Guča is a small village in Serbia (first photo), near Čačak, with only 2.000 inhabitants. However, the villages gets bigger, every summer, in order to organize the greatest festival of Balkan folk music. On the other hand, the village turns out to be too small to receive about 100.000 daily visitors, who follow the winding mountain roads in order to stand their tents in the Meca of gypsy Balkan music (second photo).

The streets of Guča are full of joy and fun, with many bands playing in fanfares and people colaborating, dancing in circules the kolo, a south slavic traditional dance. The fanfares, playing trumpets and horns, approach visitors and propose : "If you give me 150 dinars (1,50 euro), I play for you during 20 seconds" . The joy is contagiating and visitors easily enter in the spirit of the party.

In the end of the night, the stadium gets full to receive concerts of traditional folk bands or even famous names, such as Goran Bregović & the Wedding and Funeral Band (third photo), or father and son, Boban and Marko Marković. But the party keeps moving on the streets until the dawn of the day.

Below, I leave links for the concert that I had the opportunity to watch in 2010, corresponding with the 50th edition of this festival. Goran Bregović, songwriter of many songs from the soundtracks of Emir Kusturica's movies, gave a fantastic performance, for the happiness of people who came to the festival.

Guča Festival is a smart choice for someone who likes adventures and alternative festivals, out of the usual environment lived in Western Europe. The festival reaching its 54th edition and it has already the dates from 6th to 10th August.


A primeira que ouvi falar de Guča, estava a viajar na República da Srpska, norte da Bósnia. Esperando uma ligação de autocarro, começo a ouvir o barulho de buzinas e cânticos. Ao fundo, vindos da estrada de montanha, vislumbram-se vários carros trajados com bandeiras da Sérvia, cheios de pessoas a cantarem a plenos pulmões e a beberem cerveja. O cortejo era longo e mais parecia o pelotão da Volta à França. Um carro pára junto a mim e, talvez por eu estar de mochila às costas, alguém abre a janela e perguntam-me em sérvio: "Ei rapaz! Vais para Guča? Queres boleia?" Respondo com uma pergunta, revelando a minha ignorância e curiosidade sobre onde fica e o que se vai passar lá. "Não sabes? Guča é o maior acontecimento da região! Vem daí connosco!" Sei que este tipo de convites e oferta de boleia são completamente normais nos Balcãs, contudo já tinha os meus planos e roteiro definido, por isso, agradeço e recuso a proposta.

Foi a primeira vez que ouvi falar de Guča. De regresso a casa, não descansei enquanto não obtive mais informações. Guča é uma pequena vila sérvia (primeira foto), perto de Čačak, com apenas 2.000 habitantes. No entanto, a vila engrandece-se, todos os verões, para organizar o maior festival de música tradicional balcânica. Por outro lado, a vila torna-se pequena para receber os cerca de 100.000 visitantes diários, que percorrem as sinuosas estradas de montanha para montar a tenda na Meca da música cigana dos Balcãs (segunda foto).

As ruas de Guča enchem-se de animação, com várias bandas a tocar em fanfarra e com as pessoas a colaborarem, dançando em círculos o kolo, uma dança tradicional dos povos eslavos do sul. As fanfarras, tocando trompas e trompetes, não fazem por menos e apregoando: "Se me deres 150 dinares (1,50 euros), eu toco para ti durante 20 segundos." A alegria é contagiante e os visitantes entram facilmente no espírito da festa. 

Ao final da noite, o estádio enche-se para receber bandas tradicionais ou ainda nomes mais consagrados como Goran Bregović (terceira foto) ou pai e filho, Boban e Marko Marković, mas a festa continua pelas ruas, até ao sol raiar. 

Em baixo deixo links do concerto que tive a oportunidade de assistir em 2010, que correspondeu aos 50 anos do festival. O Goran Bregović, compositor de várias músicas pertencentes à banda sonora dos filmes de Emir Kusturica, deu um concerto fantástico, levando ao rubro as muitas pessoas que acorreram nesse ano ao festival.

O Festival de Guča é uma óptima opção para quem gosta de aventuras e festivais alternativos, fora dos habituais ambientes vividos na Europa. O Festival vai realizar brevemente a sua 54ª edição e já tem datas marcadas de 6 a 10 de Agosto.

Goran Bregović 

Mesečina
https://www.youtube.com/watch?v=ZFApPTKIR4U

Čaje, šukarije
https://www.youtube.com/watch?v=TU4Bm9wO_w0

Šoferska
https://www.youtube.com/watch?v=NIBwuD9XDMo

Đurđevdan
https://www.youtube.com/watch?v=cglYFJUsWtE

Alo Alo - Gas Gas
https://www.youtube.com/watch?v=I89oGR4hYlY


Manijači 
https://www.youtube.com/watch?v=H8zJq3EkEs8

Na'tan Ixara Oikopedo
https://www.youtube.com/watch?v=YYLDBeiPTjU

Gas Gas
https://www.youtube.com/watch?v=yRz1Fht4kv4

Šta ima novo
https://www.youtube.com/watch?v=mHNdtMhHKPo

Ružica si bila 
https://www.youtube.com/watch?v=8MvGYtKfVXk

Underground čoček 
https://www.youtube.com/watch?v=hDzvFaTKizY

Wednesday, July 9, 2014

Russian Tickets and Curiosities
















Here is an example of the beautiful train tickets sold in Russia (first photo). They are printed predominantly in salmon tones, similar to 5.000 rubles banknotes, the bills with the highest face value, with the map of the country and a train as watermark.

Tickets can be acquired at the several ticket offices open across the country and through the internet. The website of Russian Railways (RZhD) has an English version, very poor though. Therefore, it is useful to have some basics of Russian language and specificities about Russian trains and services.

When you buy a ticket you have usually 3 classes:
1st Class (Deluxe)
2nd Class ("Kupe") - compartiment with 4 bunk beds
3rd Class ("Platskart") - common carriage full of bunk beds (about 50)

Note: All timetables concerning departures and arrivals follow Moscow time, meaning that indepently where you are, and Russia has 11 time zones, there is a single time reference. This can be a bit confusing, because you can travel between two cities very far from Moscow and the time you booked, or written on the tickets, can be totally different from the local time. Therefore, Moscow time is a kind of "lingua franca"for travellers in Russia. In fact, the clocks hanging at train stations, all around the country, follow Moscow time.

I remember, in a mix of nostalgia and relief, the times I went to Moscow Terminal Station, in Saint Petersburg, to buy tickets for my trips. Nostalgia remembering unforgettable trips, relief because it can be a long and tedious process.

You basically come to the train station and see several ticket offices open, all of them with very long queues. It is logical, train is the most popular and viable mean of transport in Russia. The only thing we can do is to move to to end of the queue and wait patiently our turn to come. In the worst case scenario, and it already happened to me, you are the next person and the ticket office closes for lunch or what they call "technical break". Well, let's be optimistic and not think about this... It is good to check the timetable of the ticket office for not getting this kind of surprises.

Maybe for this reason Russians really do not like queuing. It is usual situation when someone comes and asks: "Who is the last?". Like the notion of queue was not enough self-explanatory about who is the last... However, this is in Europe where queues are made accordingly. In Russia there are small differences. There are people who follow the queue, with their eyes, from distance, others who come to the station in groups and spread to try their luck in multiple queues, or even the ones who ask for a little favor: "Excuse me,  can you please have a look at my bag for a moment? I will be right back." Well, let's stop talking about something so boring like staying in queue.

Actually I should be already in the black list of Russian stations, because of all the tickets (second photo) I made the workers to print and my very long name that made them go close to madness: Pedro Miguel Neves Pimenta Freire- Yes, we have very long names in Portugal. I would like to recall a small episode that happened when I went to buy tickets for the very first time in Russia.  At this time the lady looked very surprised at my passport with so many names and asked: "So many names...! And which one is your patronymic?" I reply that I do not have any. "5 names and you do not have a patronymic?" I answer again that no, these are two given names and 3 family names". She looks again at my passport and gives it back to me: "Then I am not able to sell you the tickets." I get speechless for a moment. I would never expect to try to buy tickets and getting my order refused for not having a patronymic (name of the father). Perhaps she wants to check my the name of my parents on my ID? Obviously I insist. In Russia if a foreigner is not persistent and gives up easily he is done. She takes my passport again and introduces the data. Suddenly, there are once again signs of difficulties: "Your name is too long! It is not possible to insert it..." I can't hide my impatience and tell her that I have names if she could be so kind to choose any possible combination of them and give me the tickets. And it was like that. For sure this quite an usual situation, but I can say that my name was never indifferent to eyes of the ladies working at Russian ticket offices....


Information on the ticket (third photo)

First line: Train number. Date and time of departure. Carriage number and class. Price. Tariff.
Second line: Stations of departure and arrival.
Third line:  Seat number.
Forth line: Internal codes.
Fifth line: Passport number. Family names and first names' initials.
Sixth line: Total price and supplements.
Seventh line: Date and time of arrival.
Eigth line: Note: "Departure and arrival times on Moscow time".


Aqui está um exemplar dos bonitos bilhetes vendidos na Rússia (primeira foto). Estes são impressos em tons predominantemente cor de salmão, semelhantes à nota de 5.000 rublos, a nota de maior valor facial, com o mapa da federação e um comboio em marca de água.

Os bilhetes podem ser adquiridos nas muitas bilheteiras abertas por toda Rússia e através da internet. A página da internet da Companhia de Caminhos-de-Ferro Russos (RJD) apresenta uma versão em inglês, se bem que bastante pobre. Deste modo, convém ter alguns conhecimentos de russo e das especificidades e serviços oferecidos nos comboios russos.

Nota: Todos horários relativos a partidas e chegadas seguem o fuso horário de Moscovo, o que significa que, independente da localização e, a Rússia possui 11 fusos horários diferentes, há apenas um tempo de referência. Isto pode ser um pouco confuso, porque uma pessoa pode estar a viajar entre duas cidades bem distantes de Moscovo e a hora de partida que reservou, ou que se encontra escrita no bilhete, pode ser totalmente diferente da hora local. Assim, a hora de Moscovo é uma espécie de "língua franca" para os viajantes na Rússia. De facto, os relógios existentes nas estações ferroviárias do país seguem a hora de Moscovo.

Note: All timetables concerning departures and arrivals follow Moscow time, meaning that indepently where you are, and Russia has 11 time zones, there is a single time reference. This can be a bit confusing, because you can travel between two cities very far from Moscow and the time you booked, or written on the tickets, can be totally different from the local time. Therefore, Moscow time is a kind of "lingua franca"for travellers in Russia. In fact, the clocks hanging at train stations, all around the country, follow Moscow time.


Recordo, num misto de saudade e alívio, as muitas vezes em que me dirigi à Estação Terminal de Moscovo, em São Petersburgo, para comprar bilhetes para as minhas viagens. Saudade por recordar viagens inesquecíveis, alívio por ser um processo algo moroso.

Uma pessoa chega basicamente à estação e depara-se com várias bilheteiras abertas, porém todas com longas filas. É lógico, o comboio é o meio de transporte mais popular e viável na Rússia. Resta dirigir-se para o fim da fila e esperar pacientemente que a sua vez chegue. O pior que pode acontecer, e já me aconteceu, é ser a próxima pessoa para ser atendida e a bilheteira fechar para almoço ou aquilo a que eles chamam de "pausa tecnológica". Bem, vamos ser optimistas e não pensar nisso... Convém verificar o horário da bilheteira para não ter este tipo de surpresas.

Talvez por essa razão, os russos não gostam de filas. É típico chegar alguém e perguntar: "Quem é o último?". Como se a própria noção de fila não implicasse que a última pessoa não representasse o último lugar... Mas, isso é na Europa onde as filas se desenvolvem ordeiramente. Na Rússia existem pequenas nuances. São frequentes as pessoas que acompanham a fila, com os olhos, à distância, outras que vêm comprar bilhetes em grupo para tentar a sua sorte em múltiplas filas, ou mesmo aquelas que pedem um favorzinho aos seus companheiros de infortúnio: "Olhe, pode olhar pelo meu saco só um momento? Eu já venho." Mas, chega de falar de algo tão aborrecido como estar numa fila. 

Na verdade, já devo estar na lista negra das estações russas, pelos muitos bilhetes (segunda foto) que fiz as empregadas imprimir e pelo meu nome longo, que as consegue levar aos limites da loucura: Pedro Miguel Neves Pimenta Freire. Sim, temos nomes bastante longos em Portugal. Gostaria de relembrar um pequeno episódio, que se passou quando comprei bilhetes pela primeira vez na Rússia.  Dessa vez, a senhora, olhando estupefacta para o meu passaporte com tantos nomes e pergunta-me: "Tantos nomes...! E qual é o seu patronímico?". Respondi-lhe que não tinha. "5 nomes e não tem patronímico?" Respondo-lhe educadamente que não, que são 2 nomes próprios e 3 apelidos. Olha mais uma vez para o meu passaporte e devolve-mo: "Então não lhe posso vender os bilhetes..." O meu queixo cai de espanto. Nunca esperaria ver recusada a compra de bilhetes por não ter um patronímico (nome do pai). Será que quer ver a minha filiação no meu bilhete de identidade? Como é óbvio insisto. Na Rússia o estrangeiro que não for persistente e ceder à primeira está feito. Volta a pegar no meu passaporte e a digitar os dados. De repente, notam-se novamente dificuldades: "O seu nome é muito longo! O sistema não permite digitá-lo." Não consigo esconder a irritação agora e digo-lhe que, já que tenho 5 nomes, que escolha a combinação dos que forem precisos mas que por favor me venda os bilhetes. E assim foi... É certo que esta tratou-se de uma situação excepcional, mas posso dizer que passei por outras em que o meu nome não passou indiferente aos olhos das senhoras das bilheteiras russas...


Informação no bilhete (terceiro foto)

Primeira linha: Número do comboio. Data e hora da partida. Número da carruagem e classe. Preço. Tarifa.
Segunda linha: Estações de partida e chegada.
Terceira linha:  Número do lugar.
Quarta linha: Códigos internos.
Quinta linha: Número do passaporte. Apelido e nome.
Sexta linha: Preço total e suplementos.
Sétima linha: Data e hora de chegada.
Oitava linha: Nota: "Horários de partida e chega no fuso horário de Moscovo".

Sunday, July 6, 2014

1000 Visits... Thank you!



We have reached a great milestone: 1000 visits in the first week! Thank you for all who visited this blog. I am looking forward to read your comments, impressions and wishes.
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Saturday, July 5, 2014

Day 1: Moscow (0 km) - Part 3



























Only few hours before our departure to a life-time adventure, we decide to relax and walk around Kolomenskoye. The decision was taken in order to manage our plan with Nadya's agenda. This way I will be able to say goodbye to my Russian girlfriend at the time of the trip. Nadya works near metro station Vodny Stadion, therefore we have chosen a pleasant place also on the green line. Although it is a convenient place with direct connection by metro, Nadya needs about 40 minutes to cross the city and arrive to Kolomenskoye. It is possible to notice the size of the city and our concerns about the time.

However, despite the image usually associated to Moscow of an enormous city full of skyscrapers, big constructions, long and wide streets, and constant traffic jams, the Russian capital surprisingly has wonderful parks and gardens, allowing people to escape from the rush and mess of this mega-polis and to spend pleasant time in the nature. Moscow keeps growing beyond the limits of MKAD (circular highway around the city) and during this process absorbed former Russian royal and noble estates, such as Kolomenskoye, Kuskovo, Tsaritsyno or Izmailovo. In fact, from the cities that I had the opportunity to visit, Moscow is the one that boasts the most beautiful parks and Kolomenskoye is certainly one of them.

At the entrance of this park there is a slightly steep garden with colorful flowers on the direction of Kolomenskoye's complex of monuments. Here stand some monuments and artifacts brought from other places; for example, Peter the Great wooden house in Arkhangelsk region or Boris Stone from Belarus. It is really a pity that these regions lost part of their heritage, however more people now can appreciate it. The complex has also the beautiful Church of Our Lady of Kazan, the Church and Bell Tower of Saint George and the solemn Church of the Ascension (first photo), which was built to celebrate the birth of the prince who became Tsar Ivan the Terrible and it is one of the first example of the style, therefore is inscribed in UNESCO's World Heritage list.

Moved by our curiosity we decide to enter in this church. To do this we need to go to the ticket office to buy the respective tickets. I take a look at price list: free entrance for students of Russian Federation. We are included in this group, because we are studying as exchange students at Saint Petersburg State University and we have a student card equal to any other Russian student's card and consequently the same benefits. We greet the lady working at the ticket office and we ask for two tickets. The lady takes a look on our cards and ask us if we are foreigners. We say that we are foreigners indeed, but we study in Saint Petersburg. Then, she adjusts her glasses on the nose and she looks at us with attentively, furrowing her eyebrows and she asks us for 40 rubles (1 euro) each. I ask why she is charging us other type of discount if we have the right to get a free ticket. She takes out the tickets and asks us again for 40 rubles. It is a natural reaction indeed. In a country where to visit a great part of the monuments foreigners need to pay a differentiated price, obviously higher than nationals, it is understandable the dissatisfaction from the staff working at ticket offices for conceding a free entrance to foreign citizens. Although I get angry, Andreja advices me to not argue more and accept the tickets. We take the tickets and we visit the church, which is in fact very simple, however with an interesting view.

While waiting Nadya we are eating an ice cream and observing the wooden house of Peter the Great and his statue. Suddenly, I receive a SMS from Nadya and we come to the entrance of the park to meet her, and then we go for a walk and enjoy the view over Moskva river, here showing a very elegant curve (second photo).

Time flies and we need to go back to the center and collect our backpacks. I say goodbye to Nadya very tenderly. I know well women's mentality in Russia. She is trying to hide her angriness, but she is obviously jealous, because I am going travel 22 days with other woman, even if just a friend. That is totally not unacceptable for a Russian woman. So I have the attention to make her believe that I will be back in few days, after the 9.288 kilometers till Vladivostok and everything will be alright.

In the center we buy some provisions for the trip, since we are going to spend 23 hours in the train. We collect our stuff and we move to the subway. We get out at Komsomolskaya, where there is a square with 3 great terminal railway stations: Kazan, Yaroslavl and Leningrad, which conserved its name.

I suggest Andreja to show her the fountain on the square. This fountain has details representing all Moscow's 9 terminal stations and their respective destinations inscribed on the ground.

Before the departure we need to print our tickets. To do so we approach the electronic machines and start a process that is going to take some time: to print 16 ticket for each of us. We end up monopolizing one of the machines for approximately half an hour and get the attention from one assistant, who is not able to hide her smile looking at our hands full of tickets.

And this it, we are finally ready, here at Yaroslavl Station (third photo), place where many travelers started their own Trans-Siberian adventures. The trip starts right now!


A apenas algumas horas para a partida que marcará o inicio da aventura de uma vida, decidimos relaxar um pouco e dar um passeio por Kolomenskoie. A decisão foi pensada para podermos conjugar o nosso plano com a agenda da Nádia. Desta maneira poderei despedir-me da minha namorada russa na altura da viagem. A Nádia trabalha junto à estação de metro Vódni Stadion, por isso, escolhemos um lugar agradável também na linha verde. Mesmo sendo um lugar conveniente e com ligação de metro directa, à Nádia são necessários 40 minutos para ela cruzar a cidade e chegar a Kolomenskoie. Aqui dá para ver o tamanho da cidade e a nossa preocupação com o tempo. 

No entanto, apesar da imagem habitualmente associada a Moscovo de enorme cidade, cheia arranha-céus, grandes construções, ruas longas e largas e constantes engarrafamentos, a capital russa apresenta surpreendentemente belíssimos parques e jardins para as pessoas poderem escapar ao movimento e confusão desta megapólis e passar um tempo agradável na natureza. Moscovo continua a crescer para além dos limites da MKAD (auto-estrada circular à volta da cidade) e durante este processo foi absorvendo antigas propriedades da realeza e nobreza russa, tais como Kolomenskoie, Kuskovo, Tsaritsino ou Izmailovo. De facto, das cidades que tive a oportunidade de visitar, Moscovo é aquela que apresenta os parques mais bonitos e Kolomenskoie é certamente um deles.

À entrada deste parque encontra-se um jardim em subida, com flores coloridas, que vai dar ao complexo de monumentos de Kolomenskoie. Aqui ficam alguns monumentos e artefactos trazidos de outros lugares, como por exemplo a casa de madeira de Pedro o Grande na região de Arcangel ou a Pedra de Boris, originária da Bielorrússia. É realmente uma pena ver estas regiões privadas de uma parte do seu património, embora um número maior de pessoas poderem agora apreciá-las. O complexo possui também a bonita Igreja de Nossa Senhora de Kazan, a Igreja e Torre Sineira de São Jorge e a solene Igreja da Ascensão (primeira foto), construída para celebrar o nascimento do príncipe que viria a tornar-se o czar Ivan o Terrível e um dos primeiros exemplos do estilo, por isso, património mundial da UNESCO.

Movidos pela curiosidade decidimos entrar nesta igreja. Para isso dirigimo-nos à bilheteira para comprar os respectivos bilhetes. Olho para o preçário: entrada gratuita para estudantes da Federação da Rússia. Estamos incluídos nesse grupo, dado que estudamos em regime de intercâmbio na Universidade Estatal de São Petersburgo, mas dispomos de um cartão de estudante igual ao de qualquer estudante russo e consequente com os mesmos privilégios. Saudamos a senhora da bilheteira e pedimos dois bilhetes. A senhora olha para os nossos cartões e pergunta-nos se somos estrangeiros. Respondemos que somos efectivamente estrangeiros, mas que estudamos em São Petersburgo. De seguida, ajeita os óculos no nariz e olha-nos com mais atenção, franzindo o sobrolho e acabando por nos pedir 40 rublos (1 euro) cada. Pergunto-lhe intrigado porque nos atribuiu outro tipo de desconto e não nos concede a entrada gratuitamente. Começa a rasgar os bilhetes e volta a pedir-nos os 40 rublos. É uma reacção previsível até. Num país onde em muitos monumentos os estrangeiros têm de pagar um preço de entrada diferenciado, obviamente mais alto, assim se explica a reacção de desagrado de algumas das pessoas a trabalhar nas bilheteiras ao verem-se obrigados a atribuir uma entrada gratuita a cidadãos estrangeiros. Embora revoltado, cedo na discussão, aconselhado pela Andreja a não discutir mais. Pegamos nos bilhetes e visitamos a igreja que de facto tem um interior muito simples, embora com uma vista interessante.

De seguida, enquanto esperamos pela Nádia, aproveitamos para comer um gelado e observar a casa em madeira de Pedro o Grande. Recebo uma SMS da Nádia e vamos buscá-la à entrada do parque, para depois dar uma volta e ver a vista do parque sobre o Rio Moscovo, que aqui faz uma curva bastante elegante (segunda foto). 

O tempo urge e temos de regressar ao centro para recolher as nossas mochilas. Despeço-me da Nádia de forma bastante carinhosa. Conheço bem a mentalidade das mulheres russas. Está a tentar esconder ciúmes. Está a tentar esconder a sua fúria por eu viajar 22 dias com outra mulher, mesmo que seja apenas minha amiga. Isto é completamente inaceitável para uma mulher russa. Por isso, tenho a preocupação de lhe fazer crer que estarei de volta dentro de alguns dias, após cumprir os 9.288 quilómetros até Vladivostoque e que tudo correrá bem.

À chegada ao centro compramos mantimentos para a viagem, visto que vamos passar 23 horas num comboio. Recolhemos as nossas coisas e vamos para a metro. Saímos na estação Komsomolskaia, onde se encontra uma praça com três grandes estações terminais: Kazan, Iaroslavl e Leninegrado, que conservou o seu nome.

Sugiro à Andreja mostrar-lhe uma fonte nesta praça. Esta fonte possui com pormenores representando todas as 9 estações terminais de Moscovo e respectivos destinos inscritos no chão.

Antes de partimos precisamos de imprimir os nossos bilhetes. Para isso dirigimo-nos às máquinas electrónicas e começamos um processo que se antevê demorado: nada mais nem menos que 16 para cada. Acabamos por monopolizar uma das máquinas durante aproximadamente meia hora e captar a atenção de uma auxiliar da estação, que não disfarça o riso ao ver as nossas mãos cheias de bilhetes.

E agora sim, estamos prontos finalmente, aqui na Estação de Iaroslavl (terceira foto), palco de onde muitos viajantes começaram as suas aventuras transsiberianas. A viagem começa agora!

Friday, July 4, 2014

Kolka, the End of the World...


It may be a pain in the ass to come to this place, but it is definitely worth it. Cape Kolka is often referred as the "end of the world" and it is indeed really hard to reach this place, especially if you travel by public transports as I do. There is only a daily bus ride from and to Riga, and connections with the nearest city, Talsi, are also not so good.

Nevertheless, Kolka is an enchanting place, ideal to go for a walk along the coastline and to enjoy idyllic moments of solitude.

Arriving to Cape Kolka, we see a monument that calls for attention to the turbulence of these waters. It is possible to read on one side  "For people, ships and Livian earth" and on the other "For those the sea took away". It is not surprising, since Kolka lies on a strategic point: the junction of the Gulf of Riga and the Great Baltic Sea. Thus, the currents are very treacherous. The historic of accidents and crashes here is said to be the greatest in the whole Baltic Sea. In order to mitigate this fact and reduce the number of tragedies, one lighthouse was built in 1884 on an artificial island, about 6 km from the coast.

In contrast, going through the forest extended almost till the cape, if there was not the terrible storm in 2005 that put several trees down and from which there are still signs today (first photo), we find a scenery of pure tranquility. On its tip, the rocks mark the point where the land ends and see begins (second photo).

This place is now reachable for all who want to visit it, but it was not always like that. During the times of former Soviet Union, there was a military base here and therefore Kolka was closed for civilians. Maybe this contributed to make this place even more special, because here the time has literally stopped and, apart from a small house selling souvenirs made of ambar and serving coffees, there is nothing but the nature here.

The pictures were taken still in the end of winter. I am sure that in summer this place shows a different beauty.


Pode ser que seja o verdadeiro cabo dos trabalhos para chegar até este lugar, mas vale mesmo a pena. O Cabo Kolka é habitualmente referido como "o fim do mundo" e é realmente difícil chegar aqui, especialmente para quem viaja de transportes públicos como eu faço. Existe apenas uma ligação diária de autocarro de e para Riga, e as ligações com a cidade mais próxima, Talsi, não são também as melhores.

No entanto, Kolka é um lugar encantador, ideal para um passeio ao longo da costa e para gozar de momentos idílicos de solidão.

À chegada ao Cabo Kolka, deparamo-nos com um monumento que avisa sobre a turbulência destas águas. Pode ler-se de um lado "Para as pessoas, barcos e terra Liviana" e do outro "Para aqueles a quem o mar levou-lhes a vida". Não é de estranhar, visto que Kolka fica num lugar estratégico: a junção do Golfo de Riga e do Grande Mar Báltico. As correntes são, por isso, muito traiçoeiras. O histórico de acidentes e naufrágios aqui é tido como o mais elevado em todo o Báltico. Para mitigar este facto e reduzir o número de tragédias, um farol foi erigido em 1884 numa ilha artificial, a cerca de 6 km da costa.

Em contraste, ao atravessar a floresta que se estende quase até ao próprio cabo, não fosse uma terrível tempestade em 2005 ter derrubado várias árvores e ainda hoje existirem vestígios da sua passagem (primeira foto), encontramos um cenário de pura tranquilidade. Ao fundo, as rochas marcam o ponto onde a terra acaba e o mar começa (segunda foto).

Este lugar está agora ao alcance de todos aqueles que quiserem visitá-lo, mas nem sempre foi assim. Durante o período da ex-União Soviética, Kolka dispunha de uma base militar (terceira foto) e encontrava-se assim vedado ao público. Talvez isso tenha ajudado a tornar este lugar ainda mais especial, pois aqui o tempo parou literalmente e, com excepção de uma casinha que vende lembranças feitas em âmbar e serve cafés, não existe nada aqui para além da natureza.

As fotografias foram tiradas ainda no fim do inverno. Estou convicto que no verão este lugar apresenta uma beleza diferente.

Thursday, July 3, 2014

Social Networks: Facebook & VK / Redes Sociais: Facebook & VK / Социальные Сети: Фейсбук и ВК

Hello to all! Thank you very much for your visits and for the positive feedback I got from you in these first days. In order to keep updated to new posts and services, I invite you to join the following groups created on faceebok and vkontate:

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Thank you again and be an intrepid traveler!



Привет всем! Большое спасибо за ваши посещения и отзывы я получил от вас. Я приглашаю вас присоединиться следующие группы, созданные на фейсбуке и вконтакте:

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Olá a todos! Muito obrigado pelas vossas visitas e pelas opiniões positivas que tenho recebido de vocês nestes primeiros dias. Para poderem estar actualizados quanto a novas publicações e serviços, convido-vos a juntarem-se aos grupos criados no facebook e vkontakte:

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Obrigado uma vez mais e seja um viajante intrépido!



Trans-Siberian Route and Special Thanks...



Before going on with the next chapters of these Trans-Siberian adventures, it is important to make it clear that, despite some questions concerning the route, our final destination was not Beijing, but Vladivostok in the Russian Far East and on the Sea of Japan. The confusion is common, since there are 4 Trans-Siberian railways (image):


Red - Main Trans-Siberian Line: Moscow - Vladivostok (9.288 km)
Pink - Trans-Mongolian Line: Moscow - Ulan-Bator - Beijng (7.355 km)
Yellow - Trans-Manchurian: Moscow - Harbin - Beijing (8.986 km)
Green - Baikal-Amur Mainline: Tayshet - Sovetskaya Gavan (4.287 km)


From these options our choice was obvious: the Main Trans-Siberian Line, which is the longest ralway in the world. Me and Andreja, my travel companion during this trip (and others around Russia), we both share a great passion about Russia, and so we wanted to enjoy to the maximum what Russia had to offer us and to get to know the country from one side to other.

Here is our route:
1. Moscow (0 km)
2. Perm (1.434 km)
3. Yekaterinburg (1.814 km)
4. Tobolsk (2.138 km + 221 km by train out of the main railway)
5. Tyumen (2.138 km)
6. Omsk (2.712 km)
7. Barabinsk (3.035 km)
8. Kuybyshev (3.035 km + 10 km by car out of the main railway)
9. Nobosibirsk (3.343 km)
10. Tomsk (3.565 km + 79 km by train out of the main railway)
11. Tayga (3.565 km)
12. Krasnoyarsk (4.096 km)
13. Irkutsk (5.185 km)
14. Listvyanka (5.185 km + 72 km by bus out of the main railway)
15. Port Baikal  (5.185 km + 72 km by bus + boat out of the main railway)
16. Slyudyanka (5.290 km)
17. Ulan-Ude (5.640 km)
18. Chita (6.198 km)
19. Blagoveshchensk (7.866 km + 110 km by train out of the main railway)
20. Birobidzhan (8.351 km)
21. Khabarovsk (8.523 km)
22. Vladivostok (9.288 km)

I would like to use this opportunity to thank Andreja for taking the responsibility of designing the whole plan. She chose not only the route, but managed train schedules, booked accomodation and saved main spots on Yandex Maps (Russian Google Maps). Without her this adventure would not be possible! Thank you so much! Hvala lepa!


Antes de continuar os próximos capítulos das aventuras no Transsiberiano, é importante esclarecer que, ao contrário do que muitos pensam, o nosso destino final não foi Pequim, mas sim Vladivostoque, no Extremo Oriente da Federação da Rússia e ao largo do Mar do Japão. A confusão é habitual, pois existem 4 linhas transsiberianas (imagem):


Vermelho - Linha Transsiberiana Principal: Moscovo - Vladivostoque (9.288 km)
Rosa - Linha Transmongoliana: Moscovo - Ulan Bator - Pequim (7.355 km)
Amarelo - Linha Trans-Manchuriana: Moscovo - Harbin - Pequim (8.986 km)
Verde - Linha Baical-Amur Principal: Taichet - Sovietscaia Gavan (4.287 km)


Destas opções a escolha para nós foi óbvia: a linha transsiberiana principal, sendo esta a mais longa linha ferroviária do mundo. Eu e a Andreja, a minha companheira durante esta viagem (e outras pela Rússia), partilhamos ambos uma grande paixão pela Rússia e, por isso, quisemos aproveitar ao máximo o que a Rússia tinha para nos oferecer e assim conhecer o país de uma ponta à outra.

Aqui fica o nosso roteiro na íntegra:
1. Moscovo (0 km)
2. Perm (1.434 km)
3. Iecaterimburgo (1.814 km)
4. Tobolsk (2.138 km + 221 km de comboio fora da linha principal)
5. Tiumen (2.138 km)
6. Omsk (2.712 km)
7. Barabinsk (3.035 km)
8. Kuybyshev (3.035 km + 10 km de carro fora da linha principal)
9. Nobosibirsk (3.343 km)
10. Tomsk (3.565 km + 79 km de comboio fora da linha principal)
11. Taiga (3.565 km)
12. Krasnoiarsk (4.096 km)
13. Irkutsk (5.185 km)
14. Listvianca (5.185 km + 72 km de autocarro fora da linha principal)
15. Porto de Baical (5.185 km + 72 km de autocarro + barco fora da linha principal)
16. Sliudianca (5.290 km)
17. Ulan-Ude (5.640 km)
18. Chita (6.198 km)
19. Blagoveschensk (7.866 km + 110 km de comboio fora da linha principal)
20. Birobidjan (8.351 km)
21. Khabarovsk (8.523 km)
22. Vladivostoque (9.288 km)

Eu gostava de aproveitar a oportunidade para agradecer à Andreja por ter tomado a responsabilidade na elaboração deste plano. Ela escolheu não só o itinerário, mas também coordenou os horários dos comboios, marcou os alojamentos e registou no Yandex Maps (Google Maps russo) os locais principais. Sem ela esta viagem não teria sido possível! Um muito obrigado! Hvala lepa!

Wednesday, July 2, 2014

Day 1: Moscow (0 km) - Part 2

Back to the street, Andreja was there waiting me patiently. She asks me how it was inside, and I answer in few words. We have really short time and a long trip of 24 hours is waiting us till the next stop. There we can catch up, and talk about it without wasting time. In our case, time is a very scarce resource during this trip, since soon we will have 22 days to follow a very exigent plan, stopping in about 15 cities and spending several hours in trains. I prefer to comment that the weather suddenly has changed: after a gray morning, now the sun has come, creating a good atmosphere, perfect for an urban photo safari. In fact, when I travel, I always bring the camera with me, and I can't live without it. It is very important for me to take random snapshots of some of the places visited.

We do not waste more time and and so we take more photos of Saint Basil's Cathedral, now enjoying the blue sky, and few minutes later we hit the road, following the Moskva river, down to Gorky Park, like in Scorpions' famous song.

After arriving to Saint Sophia Embankment, I recall a curious episode, when I came first time here and was stopped by the police for taking pictures of Kremlin. That time I was very scared, because I read many articles about foreigners being fined in Russia for taking pictures of military or official buildings, metro stations or even public places. This is therefore a good opportunity for the police to ask foreign tourists for their passports and get in exchange a generous contribution (aka bribe). I can't even imagine how it was during soviet times... There are still some strange laws concerning this, but of course things have changed. Actually, people told me that for these changes contributed the Prime-Minister Medvedev, who is an amateur photographer. But that time nothing happened, maybe that police officer was just having a bad day. 

From this embankment it is possible to obtain a privileged perspective over Kremlin walls and towers, and also see Ivan the Great Bell Tower (first photo). More distant, several skyscrapers come up: a building of pure Stalinist Architecture, which is one of the famous "Seven Sisters", hosting today the Ministry of Foreign Affairs and the ultra-modern towers of the brand new International Business Center "Moskva-City" (second photo).

We quickly start seeing the enormous Cathedral of Christ the Savior (third photo). This holly giant block on the riverside was demolished by the communists, following their hatred towards religions, eventual factor of people's division. In its place, they tried to build a colossal structure meant to be Palace of Soviets: a 415 meters skyscraper with a giant statue of Lenin on the top of it. Something like a birthday cake with a cherry on the top. As most of socialist projects, this one was not finished and only ended up with the destruction of the world's biggest orthodox cathedral, which was rebuilt in the 90s.

Even knowing that Andreja is not very fond of churches, I use the excuse of going inside and put a candle and pray that God can protect us during this very long trip. As I expected, Andreja was well quicker in her praying, and she is already walking around the church impatiently, since she feels uncomfortable inside orthodox temples. However, by mutual agreement, we decide to explore the cathedral, and this way to visit the underground floor, also very beautiful and with much less visitors.
(To be continued...)


De volta ao exterior, a Andreja esperava-me pacientemente. Pergunta-me como tinha sido lá dentro, ao que eu respondo de forma lacónica. O tempo que dispomos é reduzido e espera-nos uma longa travessia de 24 horas de comboio até à primeira paragem. Lá poderemos pôr a conversa em dia, sem perder tempo. No nosso caso, o tempo é um recurso bastante escasso, dado que se avizinham 22 dias para seguir um plano bastante exigente, composto por cerca de 15 paragens e várias horas passadas dentro de comboios. Prefiro comentar a repentina mudança de tempo: depois de uma manhã cinzenta, o sol dá agora um ar da sua graça, criando uma atmosfera propícia a um safari fotográfico pela cidade. De facto, quando viajo venho sempre munido da minha máquina fotográfica, não conseguindo passar sem ela e sem registar alguns dos lugares visitados para a posteridade. 

Não perdemos mais tempo e remediamos as fotos tiradas à Catedral de São Basílio com céu cinzento, agora com um céu mais azul e, passados poucos minutos, já nos fazemos à estrada, seguindo o rio Moscovo, em direcção ao Parque Gorki, tal como na famosa canção dos Scorpions.

Chegados à Margem de Santa Sofia, vem-me à memória um epísódio curioso, passado a quando da minha primeira viagem a Moscovo, em que fui aqui parado por um polícia, por estar a tirar fotos ao Kremlin. Naquele tempo fiquei bastante assustado, pois tinha lido vários artigos mencionando estrangeiros que foram multados na Rússia, por tirarem fotografias a edifícios militares ou oficiais, estações de metro, ou mesmo em locais públicos. Esta é assim uma boa oportunidade para a polícia perguntar aos turistas estrangeiros pelo seus passaportes e receber em troca uma generosa contribuição (ou suborno). Não consigo imaginar como seria durante o período da União Soviética. Ainda existem algumas leis estranhas sobre estas questões, mas claro que com o tempo muita coisa mudou. Com efeito, tenho ouvido dizer que o principal responsável por essas mudanças foi o Primeiro-Ministro Medvedev, por sinal um fotografo amador. Mas naquela ocasião nada aconteceu, talvez o polícia apenas estivesse a passar um mau dia. 

Desta margem é possível obter uma perspectiva privilegiada para as muralhas e torres do Kremlin, bem vislumbrar a Torre Sineira de Ivan o Grande (primeiro foto). Mais distante saltam à vista diversos arranha-céus: um edifício em pura Arquitectura Estalinista, pertence ao grupo das famosas "Sete Irmãs", albergando actualmente o Ministério dos Negócios Estrangeiros, e ainda as torres ultra-modernas do recém-criado Centro Internacional de Negócios "Moskva-City" (segunda foto). 

Depressa avistamos também a enorme Catedral do Cristo o Salvador (terceira foto). Este bloco gigante de santidade na margem do rio Moscovo tinha sido demolido pelos comunistas, movidos pelo ódio às religiões, factor potencial de divisão dos povos. No seu lugar tentaram construir o colossal Palácios dos Sovietes, uma estrutura de 415 metros com uma gigante estátua do Lenine no topo. Qualquer coisa com um bolo de aniversário com uma cereja no topo.

Mesmo sabendo que a Andreja não gosta muito de igrejas, decido usar a desculpa de entrarmos, pormos uma vela e rezarmos para que Deus nos proteja durante esta longa viagem. Como eu esperava, a Andreja foi bem mais curta nas suas orações e já caminhava à volta da igreja com alguma impaciência, dado o seu pouco à vontade dentro de templos ortodoxos. No entanto, por mútuo acordo, decidimos explorar a catedral e assim, visitámos igualmente o piso inferior, que nada fica a dever ao superior e onde se encontravam muito menos visitantes.
(Continua...)

Tuesday, July 1, 2014

Day 1: Moscow (0 km) - Part 1
































Moscow, the capital of Russia, has an official population of roughly 12 million inhabitants, but with estimates that largely exceed this number, due to the high migration flows of people coming from Caucasus, Central Asia and also other regions of Russian Federation. If we exclude the population on the Asian side of Istanbul, Moscow is the biggest city in Europe. Moscow is an old bastion of soviet culture, but where modernity is starting to penetrate.  

Me and Andreja, my travel companion, walk down on the always dynamic Tverskaya Street, passing by Manezhnaya Square and equestrian statue of Marshal Zhukov (first photo), entering the Ressurection Gate, straight to Red Square. There we can say goodbye to some of the greatest attractions of this city: the imposing Kremlin, the luxurious commercial gallery GUM and the pompous and colorful Saint Basil's Cathedral.

Approaching the famous statue of Nikita Minin and Dmitry Pozharsky (second photo), two heroes who saved Moscow from the invaders, I decide to enter alone in church, something that Andreja has done in the past.

The magnificent Saint Basil's Cathedral, was built between 1555 and 1561, at the orders of Ivan IV, to commemorate the capture of Kazan and Astrakhan, along river Volga. Legend held that the tsar Ivan the Terrible blinded the architect responsible for the construction so that he could not re-create this masterpiece elsewhere. Now, after so many times walking around this temple, I can't resist and I enter. Right at the entrance, I feel amazed by the beauty of its interior, thanks to the wealth of its frescoes (third photo) and icons. More astonished I become when I see the tomb of Basil the Blessed and the marvellous iconostasis that gilds this chapel inside the cathedral. There believers can pray fervently, showing all their devotion and respect for him. Respect is something that reigns inside Russian Orthodox temples, usually guarded by one or more old ladies, who make sure that everything is in order and visitors behave accordingly. In fact, thanks to these guardians, or from the austerity of orthodox images, the respect and silence is present here. The silence is over when I go upstairs and start to listen to very beautiful voices singing orthodox choir music. I stay there next to the wall, listening these celestial sounds and it touches me. Back to the reality, I enter and greet the choir, and I talk with them briefly. Then, I visit all other inner chapels and come back to Andreja, who is waiting me outside.
(To be continued...)


Moscovo, a capital da Rússia, apresenta uma população oficial de cerca de 12 milhões de habitantes, embora com estimativas que superam largamente esse número, devido aos elevados fluxos migratórios de pessoas provenientes de países do Cáucaso, Ásia Central e ainda de outras regiões da Federação Russa. Se excluirmos a população asiática de Istambul, Moscovo é a maior cidade do continente europeu. Moscovo é um antigo bastião da cultura soviética, mas onde a modernidade começa a penetrar.

Eu e a Andreja, minha companheira de viagem, descemos a sempre movimentada Rua Tverskaya, passando pela Praça Manejnaia e pela estátua equestre do Marechal Jucov (primeira foto), atravessando o Porta da Ressurreição, em direcção à Praça Vermelha. Lá pudemos despedir-nos de algumas das principais atracções desta cidade: o majestoso Kremlin, a luxuosa galeria comercial GUM e a faustosa e colorida Catedral de São Basílio. Aproximando-­me da famosa estátua de Nikita Minin e Dmitri Pojarski (segunda foto), dois heróis que salvaram Moscovo dos invasores, decido entrar sozinho na catedral, algo que a Andreja já tinha feito.  

A espantosa Catedral de São Basílio, imagem de marca de Moscovo, foi construída entre 1555 e 1561, sob as ordens de Ivan IV, como forma de celebrar as conquistas de Kazan e Astracã, ao longo do rio Volga. Rezam as crónicas que o czar, ou não fosse ele Ivan o Terrível, mandou cegar o seu arquitecto para que nunca mais pudesse recriar uma obra com esta beleza.  Desta vez, depois de tantas passagens e miradas à volta deste templo, não resisto e entro. Logo à entrada, fico maravilhado com a beleza do seu interior, devido à riqueza dos seus frescos (terceira foto) e ícones. Mais maravilhado fico ao vislumbrar o túmulo de Basílio o Bem-­aventurado e a magnífica iconóstase que engalana esta capela no interior da catedral. Aí os crentes podem rezar fervorosamente, demonstrando toda a sua devoção e respeito por ele. Respeito é mesmo uma palavra que impera dentro dos templos ortodoxos russos, frequentemente guardados por uma ou mais senhoras idosas que asseguram que tudo se encontra em ordem e que os visitantes se comportam de acordo com uma pretensa normalidade. Pelos vistos, devido a estas guardiãs dos templos, ou mesmo pela própria austeridade das imagens religiosas ortodoxas, o respeito e o silêncio estão bem presentes aqui. O silêncio é interrompido quando subo ao piso superior e começo a ouvir vozes cristalinas cantando recitais ortodoxos. Deixo-me ficar encostado à parede, ouvindo aqueles sons celestiais e comovo-me. Quando volto à realidade, entro e cumprimento os responsáveis por este momento bonito e troco dois dedos de conversa com eles. Depois, visito as outras belas capelas interior e volto para a Andreja, que espera por mim lá fora.
(Continua...)