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Sunday, July 20, 2014

Day 1: Moscow (0km) - Part 4































There we are at Yaroslavl Terminal Station, in Moscow, ready for the moment we were both waiting for: the departure. It is not our first departure, but this is certainly going to be the hardest of our trips, not only due to the length and several kilometers, but also due to intensity that we are going out visit the main Russian cities in a very short time, managing many several timetables and transports in a country where unpredictability is something take into account. We are at kilometer zero and precisely 9.288 kilometers to our destination. Although we are focused, we smile, understanding the importance of trips for us.

Carrying our backpacks, and after verifying several times our first ticket, we approach our carriage. Many people are passing us with their big suitcases and belongings, moving on the platform like little ants, with the goal to enter in the train as soon as possible. Me and Andreja let ourselves to stay behind and therefore we can enjoy the moment and also the marvelous sunset, disappearing on the horizon, like the sun is falling on the railways (first photo).

In Russia, tickets are verified two times, one of the them at the entrance of the train. Conductors are therefore at the door of the carriage they supervise. When showing the tickets comes the first problem: we are not on the passengers' list. It is not possible! We have done the online check-in, thus, we have to be on it. The lady looks many times times at our passports and tickets, which are printed on A4 sheets, and she does not understand what is going on. How could this happen? Are we going to miss the first train and our trip ends here? Facing this dead-lock, Andreja has a good idea: to show the tickets we have just printed from the machines. The conductor smiles ironically: "Why you did not show these tickets before? Now it is clear what happened: we made the check-in online previously, but we have annulled it by printing new tickets. Solved the problem, we enter.

We easily find our seats and we put the bags under Andreja's bed. The experience aboard of Russian trains has shown us that this is the best strategy. By occupying a lower bed we would be sure that our belongings are safe, since there are some cases of thefts in the trains. This happen when people go to the toilet, restaurant, or even outside, during the several stops till Vladivostok, which can last from only 5 minutes to around 1 hour, therefore used not only for passenger boarding, but also making it possible for the ones already installed to stretch their legs and take fresh air. On the other hand, by taking the upper bed, right above the other, we avoid that a stranger can sit on the lower bed during the day.

The conductor announces the closing of the doors, and so the train starts moving on the tracks that guide us to the unknown. She comes to check the tickets and give us the set of sheets, pillow case and towel, additional services paid in exchange of 105 rubles (roughly 2,50 euro). Without this supplement, it is not allowed to use the mattresses, unless we have a sleeping bag.

Andreja goes to the toilet to change her clothes and I wait for her, preparing my bed. On my place there is a strange object. From the first sight it looks like a simple handle from a travel bag and, thinking this way, I take this aparently useless piece of textile and I put it in the trash next to the WC. Meanwhile, Andreja comes back and we talk. Suddenly, I notice other "handles" hanging on upper beds and I finally realize their utility: anti-fall protection, avoiding people to fall from their respective beds (second picture). This was a new situation for me, since, in all the trains I traveled, this anti-fall protection was done by retractable metal bars. Thus, I see myself obliged, and also ashamed, under the laughs of people observing me, to go to trash and take back that little thing that I have thrown away. For sure the other passengers thought how idiots these foreign tourists can be...

On our side, there are Marina and little Pasha, mother and son (third photo). At the beginning they are bit afraid, speaking to us only few words in english, but then they quickly realize that we are able to speak fluently Russian and we start a conversation. They are from Yekaterinburg and they are traveling around European Russia. These are going to be our neighbors till our stop in Perm. Lights are switched off and it is time to sleep.


Aqui estamos nós na Estação Terminal de Iarosvlavl, em Moscovo, ambos prontos para o momento que tanto ansiávamos: a partida. Não é a nossa primeira partida, mas esta será certamente a mais exigente das nossas viagens, não só pela duração e quilometragem, mas igualmente pela intensidade com que vamos tentar percorrer as principais cidades russas num curto espaço de tempo, conciliando vários horários e transportes, isto num país onde a imprevisibilidade é um factor a ter conta. Estamos no quilómetro zero e a precisamente 9.288 quilómetros do nosso destino. Estamos concentrados, mas não deixamos de sorrir ao perceber a importância desta viagem para nós.

De mochila às costas e, após verificar várias vezes o nosso primeiro bilhete, encaminhamo-nos para a nossa carruagem. Por nós passam diversas pessoas atarefadas com os seus malões e pertences, percorrendo a plataforma como que formiguinhas, com o objectivo de entrar o mais cedo possível para o comboio. Eu e a Andreja deixamo-nos ficar para trás e aproveitamos para desfrutar do momento e do magnífico pôr-do-sol que se perde no horizonte, como se o sol estivesse a cair sobre a linha do comboio (primeira foto).

Na Rússia, os bilhetes são verificados duas vezes, uma delas à entrada do comboio. As revisoras encontram-se assim à porta das carruagens que supervisionam. Chegado o momento de apresentar o bilhete vem a primeira contrariedade: não estamos na lista de passageiros. Não pode ser! Nós efectuámos o check-in online, por isso, temos de estar nela. A revisora olha várias vezes para os nossos passaportes e bilhetes impressos em folhas A4, sem perceber o que se está a passar. Mas como pode isto nos acontecer? Será que vamos perder logo o primeiro comboio e a nossa viagem fica por aqui? Perante o impasse, a Andreja tem uma boa ideia: mostrar os outros bilhetes que tínhamos acabado de imprimir nas máquinas. A revisora sorri e diz-nos num tom trocista: "Porque não mostraram estes bilhetes antes?" Agora é perceptível o que se tinha passado: tínhamos feito previamente o check-in online, contudo tinhamo-lo anulado com a impressão de novos bilhetes. Resolvido o problema, entramos.

Encontramos facilmente os nossos lugares e colocamos as mochilas debaixo da cama que estava destinada à Andreja. A nossa experiência a bordo de comboios russos mostrou-nos que essa seria a melhor estratégia. Ocupando uma cama inferior ficaríamos com a certeza de que os nossos pertences estariam seguros, pois existem alguns casos de roubos nos comboios. Isto acontece aquando de deslocações à casa  de banho, restaurante, ou mesmo ao exterior, durante as muitas paragens até Vladivostoque, que podem durar entre 5 minutos a cerca de 1 hora, servindo não só para embarque de desembarque de passageiros, mas igualmente para quem já está instalado poder desentorpecer as pernas e apanhar ar. Por outro lado, ao escolhermos uma cama superior, sendo esta por cima da outra, invalidamos as contrariedades do ocupante dessa cama ser um desconhecido e querer sentar-se na cama inferior durante o dia.

Após o grito da revisora, sinalizando o fecho das portas, o comboio inicia a sua marcha nos caminhos-de-ferros que nos guiam rumo ao desconhecido. A revisora chega para conferir os bilhetes e dar-nos o conjunto de lençóis, fronha e toalha, serviço adicional pago mediante a quantia de 105 rublos (sensivelmente 2,50 euros). Sem esse suplemento, não é permitido o uso dos colchões, a não ser que disponhamos de sacos-cama.

A Andreja vai à casa de banho para trocar de roupa e eu fico à espera, preparando a minha cama. No meu lugar está um objecto estranho. À primeira vista parece-me uma simples pega de um saco de viagem e, julgando dessa forma, pego nessa tira de tecido aparentemente sem utilidade e ponha-a no lixo, junto ao WC. Entretanto a Andreja volta e conversamos. De repente,  reparo em outras "pegas" em cada cama superior e entendo finalmente a utilidade das mesmas: protecção anti-queda, evitando que as pessoas caiam das camas respectivas (segunda foto). Esta foi uma situação nova para mim, pois em todos comboios onde viajei, essa protecção anti-queda era feita por barras de metal articuláveis. Logo, vejo-me obrigado, com alguma vergonha e, debaixo dos risos das pessoas que me observavam, a ir buscar ao lixo aquela coisa esquisita que tinha jogado fora. De certeza que pensavam o quão idiotas os turistas estrangeiros podem ser...

Ao nosso lado, estão a Marina e o pequeno Pacha, mãe e filho (terceira foto). De início ficam receosos, a falar connosco algumas palavras em inglês, mas depois percebem que falamos russo fluente e desenvolve-se a conversa. mãe e filho São de Iecaterimburgo e encontram-se fazer uma viagem pela Rússia europeia. Estes serão os nossos vizinhos até à nossa paragem em Perm. As luzes apagam-se e é tempo de dormir.

Tuesday, July 15, 2014

Tour of Russia in magnets...






















































Here you can find my personal collection of magnets from Russia. I have tried to sort them more or less by geographic location:

Saint Petersburg, Leningrad Region and Around (first photo)
Moscow, Golden Ring, Volga and Around (second photo)
Urals, Siberia and Far East (third photo)


Aqui está a minha colecção pessoal de ímanes da Rússia. Eu tentei dispo-los mais ou menos por localização geográfica:

São Petersburgo, Região de Leninegrado e Outras (primeira foto)
Moscovo, Anel Dourado, Volga e Outras (segunda foto)
Urais, Sibéria e Extremo Oriente (terceira foto)

Thursday, July 3, 2014

Trans-Siberian Route and Special Thanks...



Before going on with the next chapters of these Trans-Siberian adventures, it is important to make it clear that, despite some questions concerning the route, our final destination was not Beijing, but Vladivostok in the Russian Far East and on the Sea of Japan. The confusion is common, since there are 4 Trans-Siberian railways (image):


Red - Main Trans-Siberian Line: Moscow - Vladivostok (9.288 km)
Pink - Trans-Mongolian Line: Moscow - Ulan-Bator - Beijng (7.355 km)
Yellow - Trans-Manchurian: Moscow - Harbin - Beijing (8.986 km)
Green - Baikal-Amur Mainline: Tayshet - Sovetskaya Gavan (4.287 km)


From these options our choice was obvious: the Main Trans-Siberian Line, which is the longest ralway in the world. Me and Andreja, my travel companion during this trip (and others around Russia), we both share a great passion about Russia, and so we wanted to enjoy to the maximum what Russia had to offer us and to get to know the country from one side to other.

Here is our route:
1. Moscow (0 km)
2. Perm (1.434 km)
3. Yekaterinburg (1.814 km)
4. Tobolsk (2.138 km + 221 km by train out of the main railway)
5. Tyumen (2.138 km)
6. Omsk (2.712 km)
7. Barabinsk (3.035 km)
8. Kuybyshev (3.035 km + 10 km by car out of the main railway)
9. Nobosibirsk (3.343 km)
10. Tomsk (3.565 km + 79 km by train out of the main railway)
11. Tayga (3.565 km)
12. Krasnoyarsk (4.096 km)
13. Irkutsk (5.185 km)
14. Listvyanka (5.185 km + 72 km by bus out of the main railway)
15. Port Baikal  (5.185 km + 72 km by bus + boat out of the main railway)
16. Slyudyanka (5.290 km)
17. Ulan-Ude (5.640 km)
18. Chita (6.198 km)
19. Blagoveshchensk (7.866 km + 110 km by train out of the main railway)
20. Birobidzhan (8.351 km)
21. Khabarovsk (8.523 km)
22. Vladivostok (9.288 km)

I would like to use this opportunity to thank Andreja for taking the responsibility of designing the whole plan. She chose not only the route, but managed train schedules, booked accomodation and saved main spots on Yandex Maps (Russian Google Maps). Without her this adventure would not be possible! Thank you so much! Hvala lepa!


Antes de continuar os próximos capítulos das aventuras no Transsiberiano, é importante esclarecer que, ao contrário do que muitos pensam, o nosso destino final não foi Pequim, mas sim Vladivostoque, no Extremo Oriente da Federação da Rússia e ao largo do Mar do Japão. A confusão é habitual, pois existem 4 linhas transsiberianas (imagem):


Vermelho - Linha Transsiberiana Principal: Moscovo - Vladivostoque (9.288 km)
Rosa - Linha Transmongoliana: Moscovo - Ulan Bator - Pequim (7.355 km)
Amarelo - Linha Trans-Manchuriana: Moscovo - Harbin - Pequim (8.986 km)
Verde - Linha Baical-Amur Principal: Taichet - Sovietscaia Gavan (4.287 km)


Destas opções a escolha para nós foi óbvia: a linha transsiberiana principal, sendo esta a mais longa linha ferroviária do mundo. Eu e a Andreja, a minha companheira durante esta viagem (e outras pela Rússia), partilhamos ambos uma grande paixão pela Rússia e, por isso, quisemos aproveitar ao máximo o que a Rússia tinha para nos oferecer e assim conhecer o país de uma ponta à outra.

Aqui fica o nosso roteiro na íntegra:
1. Moscovo (0 km)
2. Perm (1.434 km)
3. Iecaterimburgo (1.814 km)
4. Tobolsk (2.138 km + 221 km de comboio fora da linha principal)
5. Tiumen (2.138 km)
6. Omsk (2.712 km)
7. Barabinsk (3.035 km)
8. Kuybyshev (3.035 km + 10 km de carro fora da linha principal)
9. Nobosibirsk (3.343 km)
10. Tomsk (3.565 km + 79 km de comboio fora da linha principal)
11. Taiga (3.565 km)
12. Krasnoiarsk (4.096 km)
13. Irkutsk (5.185 km)
14. Listvianca (5.185 km + 72 km de autocarro fora da linha principal)
15. Porto de Baical (5.185 km + 72 km de autocarro + barco fora da linha principal)
16. Sliudianca (5.290 km)
17. Ulan-Ude (5.640 km)
18. Chita (6.198 km)
19. Blagoveschensk (7.866 km + 110 km de comboio fora da linha principal)
20. Birobidjan (8.351 km)
21. Khabarovsk (8.523 km)
22. Vladivostoque (9.288 km)

Eu gostava de aproveitar a oportunidade para agradecer à Andreja por ter tomado a responsabilidade na elaboração deste plano. Ela escolheu não só o itinerário, mas também coordenou os horários dos comboios, marcou os alojamentos e registou no Yandex Maps (Google Maps russo) os locais principais. Sem ela esta viagem não teria sido possível! Um muito obrigado! Hvala lepa!

Wednesday, July 2, 2014

Day 1: Moscow (0 km) - Part 2

Back to the street, Andreja was there waiting me patiently. She asks me how it was inside, and I answer in few words. We have really short time and a long trip of 24 hours is waiting us till the next stop. There we can catch up, and talk about it without wasting time. In our case, time is a very scarce resource during this trip, since soon we will have 22 days to follow a very exigent plan, stopping in about 15 cities and spending several hours in trains. I prefer to comment that the weather suddenly has changed: after a gray morning, now the sun has come, creating a good atmosphere, perfect for an urban photo safari. In fact, when I travel, I always bring the camera with me, and I can't live without it. It is very important for me to take random snapshots of some of the places visited.

We do not waste more time and and so we take more photos of Saint Basil's Cathedral, now enjoying the blue sky, and few minutes later we hit the road, following the Moskva river, down to Gorky Park, like in Scorpions' famous song.

After arriving to Saint Sophia Embankment, I recall a curious episode, when I came first time here and was stopped by the police for taking pictures of Kremlin. That time I was very scared, because I read many articles about foreigners being fined in Russia for taking pictures of military or official buildings, metro stations or even public places. This is therefore a good opportunity for the police to ask foreign tourists for their passports and get in exchange a generous contribution (aka bribe). I can't even imagine how it was during soviet times... There are still some strange laws concerning this, but of course things have changed. Actually, people told me that for these changes contributed the Prime-Minister Medvedev, who is an amateur photographer. But that time nothing happened, maybe that police officer was just having a bad day. 

From this embankment it is possible to obtain a privileged perspective over Kremlin walls and towers, and also see Ivan the Great Bell Tower (first photo). More distant, several skyscrapers come up: a building of pure Stalinist Architecture, which is one of the famous "Seven Sisters", hosting today the Ministry of Foreign Affairs and the ultra-modern towers of the brand new International Business Center "Moskva-City" (second photo).

We quickly start seeing the enormous Cathedral of Christ the Savior (third photo). This holly giant block on the riverside was demolished by the communists, following their hatred towards religions, eventual factor of people's division. In its place, they tried to build a colossal structure meant to be Palace of Soviets: a 415 meters skyscraper with a giant statue of Lenin on the top of it. Something like a birthday cake with a cherry on the top. As most of socialist projects, this one was not finished and only ended up with the destruction of the world's biggest orthodox cathedral, which was rebuilt in the 90s.

Even knowing that Andreja is not very fond of churches, I use the excuse of going inside and put a candle and pray that God can protect us during this very long trip. As I expected, Andreja was well quicker in her praying, and she is already walking around the church impatiently, since she feels uncomfortable inside orthodox temples. However, by mutual agreement, we decide to explore the cathedral, and this way to visit the underground floor, also very beautiful and with much less visitors.
(To be continued...)


De volta ao exterior, a Andreja esperava-me pacientemente. Pergunta-me como tinha sido lá dentro, ao que eu respondo de forma lacónica. O tempo que dispomos é reduzido e espera-nos uma longa travessia de 24 horas de comboio até à primeira paragem. Lá poderemos pôr a conversa em dia, sem perder tempo. No nosso caso, o tempo é um recurso bastante escasso, dado que se avizinham 22 dias para seguir um plano bastante exigente, composto por cerca de 15 paragens e várias horas passadas dentro de comboios. Prefiro comentar a repentina mudança de tempo: depois de uma manhã cinzenta, o sol dá agora um ar da sua graça, criando uma atmosfera propícia a um safari fotográfico pela cidade. De facto, quando viajo venho sempre munido da minha máquina fotográfica, não conseguindo passar sem ela e sem registar alguns dos lugares visitados para a posteridade. 

Não perdemos mais tempo e remediamos as fotos tiradas à Catedral de São Basílio com céu cinzento, agora com um céu mais azul e, passados poucos minutos, já nos fazemos à estrada, seguindo o rio Moscovo, em direcção ao Parque Gorki, tal como na famosa canção dos Scorpions.

Chegados à Margem de Santa Sofia, vem-me à memória um epísódio curioso, passado a quando da minha primeira viagem a Moscovo, em que fui aqui parado por um polícia, por estar a tirar fotos ao Kremlin. Naquele tempo fiquei bastante assustado, pois tinha lido vários artigos mencionando estrangeiros que foram multados na Rússia, por tirarem fotografias a edifícios militares ou oficiais, estações de metro, ou mesmo em locais públicos. Esta é assim uma boa oportunidade para a polícia perguntar aos turistas estrangeiros pelo seus passaportes e receber em troca uma generosa contribuição (ou suborno). Não consigo imaginar como seria durante o período da União Soviética. Ainda existem algumas leis estranhas sobre estas questões, mas claro que com o tempo muita coisa mudou. Com efeito, tenho ouvido dizer que o principal responsável por essas mudanças foi o Primeiro-Ministro Medvedev, por sinal um fotografo amador. Mas naquela ocasião nada aconteceu, talvez o polícia apenas estivesse a passar um mau dia. 

Desta margem é possível obter uma perspectiva privilegiada para as muralhas e torres do Kremlin, bem vislumbrar a Torre Sineira de Ivan o Grande (primeiro foto). Mais distante saltam à vista diversos arranha-céus: um edifício em pura Arquitectura Estalinista, pertence ao grupo das famosas "Sete Irmãs", albergando actualmente o Ministério dos Negócios Estrangeiros, e ainda as torres ultra-modernas do recém-criado Centro Internacional de Negócios "Moskva-City" (segunda foto). 

Depressa avistamos também a enorme Catedral do Cristo o Salvador (terceira foto). Este bloco gigante de santidade na margem do rio Moscovo tinha sido demolido pelos comunistas, movidos pelo ódio às religiões, factor potencial de divisão dos povos. No seu lugar tentaram construir o colossal Palácios dos Sovietes, uma estrutura de 415 metros com uma gigante estátua do Lenine no topo. Qualquer coisa com um bolo de aniversário com uma cereja no topo.

Mesmo sabendo que a Andreja não gosta muito de igrejas, decido usar a desculpa de entrarmos, pormos uma vela e rezarmos para que Deus nos proteja durante esta longa viagem. Como eu esperava, a Andreja foi bem mais curta nas suas orações e já caminhava à volta da igreja com alguma impaciência, dado o seu pouco à vontade dentro de templos ortodoxos. No entanto, por mútuo acordo, decidimos explorar a catedral e assim, visitámos igualmente o piso inferior, que nada fica a dever ao superior e onde se encontravam muito menos visitantes.
(Continua...)

Tuesday, July 1, 2014

Day 1: Moscow (0 km) - Part 1
































Moscow, the capital of Russia, has an official population of roughly 12 million inhabitants, but with estimates that largely exceed this number, due to the high migration flows of people coming from Caucasus, Central Asia and also other regions of Russian Federation. If we exclude the population on the Asian side of Istanbul, Moscow is the biggest city in Europe. Moscow is an old bastion of soviet culture, but where modernity is starting to penetrate.  

Me and Andreja, my travel companion, walk down on the always dynamic Tverskaya Street, passing by Manezhnaya Square and equestrian statue of Marshal Zhukov (first photo), entering the Ressurection Gate, straight to Red Square. There we can say goodbye to some of the greatest attractions of this city: the imposing Kremlin, the luxurious commercial gallery GUM and the pompous and colorful Saint Basil's Cathedral.

Approaching the famous statue of Nikita Minin and Dmitry Pozharsky (second photo), two heroes who saved Moscow from the invaders, I decide to enter alone in church, something that Andreja has done in the past.

The magnificent Saint Basil's Cathedral, was built between 1555 and 1561, at the orders of Ivan IV, to commemorate the capture of Kazan and Astrakhan, along river Volga. Legend held that the tsar Ivan the Terrible blinded the architect responsible for the construction so that he could not re-create this masterpiece elsewhere. Now, after so many times walking around this temple, I can't resist and I enter. Right at the entrance, I feel amazed by the beauty of its interior, thanks to the wealth of its frescoes (third photo) and icons. More astonished I become when I see the tomb of Basil the Blessed and the marvellous iconostasis that gilds this chapel inside the cathedral. There believers can pray fervently, showing all their devotion and respect for him. Respect is something that reigns inside Russian Orthodox temples, usually guarded by one or more old ladies, who make sure that everything is in order and visitors behave accordingly. In fact, thanks to these guardians, or from the austerity of orthodox images, the respect and silence is present here. The silence is over when I go upstairs and start to listen to very beautiful voices singing orthodox choir music. I stay there next to the wall, listening these celestial sounds and it touches me. Back to the reality, I enter and greet the choir, and I talk with them briefly. Then, I visit all other inner chapels and come back to Andreja, who is waiting me outside.
(To be continued...)


Moscovo, a capital da Rússia, apresenta uma população oficial de cerca de 12 milhões de habitantes, embora com estimativas que superam largamente esse número, devido aos elevados fluxos migratórios de pessoas provenientes de países do Cáucaso, Ásia Central e ainda de outras regiões da Federação Russa. Se excluirmos a população asiática de Istambul, Moscovo é a maior cidade do continente europeu. Moscovo é um antigo bastião da cultura soviética, mas onde a modernidade começa a penetrar.

Eu e a Andreja, minha companheira de viagem, descemos a sempre movimentada Rua Tverskaya, passando pela Praça Manejnaia e pela estátua equestre do Marechal Jucov (primeira foto), atravessando o Porta da Ressurreição, em direcção à Praça Vermelha. Lá pudemos despedir-nos de algumas das principais atracções desta cidade: o majestoso Kremlin, a luxuosa galeria comercial GUM e a faustosa e colorida Catedral de São Basílio. Aproximando-­me da famosa estátua de Nikita Minin e Dmitri Pojarski (segunda foto), dois heróis que salvaram Moscovo dos invasores, decido entrar sozinho na catedral, algo que a Andreja já tinha feito.  

A espantosa Catedral de São Basílio, imagem de marca de Moscovo, foi construída entre 1555 e 1561, sob as ordens de Ivan IV, como forma de celebrar as conquistas de Kazan e Astracã, ao longo do rio Volga. Rezam as crónicas que o czar, ou não fosse ele Ivan o Terrível, mandou cegar o seu arquitecto para que nunca mais pudesse recriar uma obra com esta beleza.  Desta vez, depois de tantas passagens e miradas à volta deste templo, não resisto e entro. Logo à entrada, fico maravilhado com a beleza do seu interior, devido à riqueza dos seus frescos (terceira foto) e ícones. Mais maravilhado fico ao vislumbrar o túmulo de Basílio o Bem-­aventurado e a magnífica iconóstase que engalana esta capela no interior da catedral. Aí os crentes podem rezar fervorosamente, demonstrando toda a sua devoção e respeito por ele. Respeito é mesmo uma palavra que impera dentro dos templos ortodoxos russos, frequentemente guardados por uma ou mais senhoras idosas que asseguram que tudo se encontra em ordem e que os visitantes se comportam de acordo com uma pretensa normalidade. Pelos vistos, devido a estas guardiãs dos templos, ou mesmo pela própria austeridade das imagens religiosas ortodoxas, o respeito e o silêncio estão bem presentes aqui. O silêncio é interrompido quando subo ao piso superior e começo a ouvir vozes cristalinas cantando recitais ortodoxos. Deixo-me ficar encostado à parede, ouvindo aqueles sons celestiais e comovo-me. Quando volto à realidade, entro e cumprimento os responsáveis por este momento bonito e troco dois dedos de conversa com eles. Depois, visito as outras belas capelas interior e volto para a Andreja, que espera por mim lá fora.
(Continua...)

Monday, June 30, 2014

Trans-Siberian Chronicles (coming soon...)

In order to recall last year's mythical trip, I am going to share on this blog some of the pictures taken and chronicles written during it. My dream is to compile them and publish a book.The presentation is going to take a format of a diary and will tell the adventures experienced along the 9288 kilometers separating Moscow and Vladivostok.

I hope to create an interest from your side in participating in this unforgettable trip. Feel free to comment and make questions!


Для того, чтобы вспомнить мифическую прошлогоднюю поездку, я собираюсь поделиться в этом блоге фотки и хроники во время неё. Моя мечта - опубликовать книгу. Презентация имеет формат дневника и расскажет о приключениях вдоль 9288 километров, разделяющих Москву и Владивосток.

Я надеюсь создать ваш интерес о этой поездке. Не стесняйтесь комментировать и сделать вопросы!


Com o objectivo de recordar a mítica viagem realizada no ano passado, vou partilhar neste blogue algumas das fotos tiradas e crónicas escritas durante a mesma. O meu sonho é compilá-las e publicar um livro. A apresentação será em formato de diário e contará as peripécias vividas ao longo dos 9288 quilómetros que separam Moscovo e Vladivostoque.

Espero despertar o interesse da vossa parte em participar nesta viagem inesquecível. Sintam-se à vontade para comentarem e porem questões!